NO TEATRO: Farnese de Saudade

///NO TEATRO: Farnese de Saudade

O espetáculo instalação “Farnese de Saudade”, dirigido por Celina Sodré, com a atuação de Vandré Silveira, se propõe a celebrar a vida e a obra do artista plástico brasileiro Farnese de Andrade. Logra sucesso.

Todas as informações necessárias – como a utilização do taciturno, os conflitos existenciais e psicológicos com a figura do pai, da mãe, a aversão às crianças, a opção pela solidão – estão presentes. Em certo momento, há espaço para até para o macabro, contudo, se sobressai, dentro da brilhante e comovente atuação de Vandré, o drama humano daquela personagem, daquele artista.

O cenário maximiza a performance do ator e as propostas da encenação. Aproxima-se em certos instantes de um teatro ritual, ou de um neo-teatro, mas é exatamente a sua crueza e sua falta de excessos que lhe garante a harmonia entre precisão e organicidade, que tanto se busca nas artes em geral. Fortemente inspirado pelo teatro pobre de Jerzy Grotowski, o trabalho da diretora encontrou um intérprete, ou, um pontífice, realmente ótimo para o tributo ali realizado.

É um exercício de performance muito significativo, que leva o espectador a mergulhar em um universo sombrio, mas enriquecedor, onde as negações e as privações de um homem o tornam essencialmente transgressor e revolucionário. Há muito para se absorver deste espetáculo.

Vale a pena ressaltar as qualificações: melhor ator no Festival Home Theatre, Melhor Cenário no 2º Prêmio Questão de Crítica, indicação a melhor Cenário no 25º Prêmio Shell e indicação a categoria especial no 2º Prêmio Questão de Crítica.

2018-03-18T23:25:10+00:00 0 Comentários

Sobre o Autor:

Felipe Marendaz Mury é bacharel em Direito pela UFRJ e ator formado pela Casa de Artes de Laranjeiras. Tem especialidade no teatro épico de Berthold Brecht e predileção pelo teatro do absurdo em geral. É crítico de teatro e cinema carioca.

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