FILMES: SE A RUA BEALE FALASSE

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Com apenas 19 anos, Tish (Kiki Layne), uma jovem de família afro-americana, relembra vividamente a paixão, o respeito e a confiança que a uniram ao artista Alonzo Hunt (Stephan James), conhecido pelo apelido de Fonny. Amigos de infância, tornaram-se um casal, estão noivos e esperam um bebê, mas seus planos são sabotados quando Fonny é preso por um crime que não cometeu. Essa é a história de Se a Rua Beale Falasse {If Beale Street Could Talk}.

A localização no tempo e espaço é essencial para entender este filme: estamos no Harlem dos anos 70. Os negros lutavam pelos mínimos direitos, e a luta pelo fim da segregação racial era viva em todos os cantos dos Estados Unidos. Mas enquanto muitos negros protestavam nas ruas, outros tantos queriam apenas viver suas vidas com dignidade e respeito.

Assim era com Tish e Fonny, protagonistas do livro de mesmo nome escrito por James Baldwin e com roteiro adaptado para a telona e direção de Barry Jenkins. Para dar vida a seus personagens principais, Jenkins escalou os ótimos Kiki Layne e Stephan James, ainda Regina King (impecável), Colman Domingo, Michael Beach, Diego Luna, Pedro Pascal e Dave Franco.

Se a Rua Beale Falasse é um filme de amor. Um amor lindo, que começou nas brincadeiras de duas crianças até explodir na paixão sexual. O amor que faz duas pessoas quererem viver sob o mesmo teto, ter filhos, compartilhar a vida. Seria um amor tradicional, não fosse o empecilho mais absurdo: a cor da pele dos apaixonados. Por serem negros eles têm dificuldade em alugar um lugar para morar. A perspectiva de vida de seus irmãos de cor é desanimadora. A crueldade chega ao ponto de uma prisão injusta.

Há dois anos o Diretor levou o Oscar de Melhor Filme com Moonlight: Sob a Luz do Luar e Melhor Roteiro pelo mesmo filme, Barry Jenkins volta a contar uma história de luta pelos direitos dos negros de ter uma vida digna como a de quaisquer outros. Se a Rua Beale Falasse mostra a luta das minorias e denuncia o poder policial corrupto, mas é acima de tudo um filme belo. Belo na trilha sonora, na edição – que mistura a realidade dos personagens e flashbacks contando como chegaram até ali – e atuações poderosas. Destaca-se Regina King, a mãe de Tish.

Vencedora de quase todos os prêmios de Atriz Coadjuvante até agora, a Sharon Rivers interpretada por Regina é uma personagem de apoio, forte, mas que explode em uma sequencia de cenas que vai fazer você vibrar.

Se a Rua Beale Falasse tem três indicações ao Oscar 2019: Melhor Atriz Coadjuvante: Regina King {grande favorita}, Melhor Roteiro Adaptado, e Melhor Trilha Sonora Original.

Poesia e protesto nos Cinemas a partir de amanhã, dia 07 de fevereiro.

Até a próxima,

2019-02-09T22:50:34+00:00 0 Comentários

Sobre o Autor:

Lathife Porto
Meu nome é Lathife Porto, sou jornalista, assessora de imprensa, e apaixonada por arte e cultura. Moro no Rio de Janeiro, estou sempre em Paraty {RJ}, mas você pode me encontrar em qualquer lugar do mundo – principalmente no mundo virtual.

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