EDITORIAL: GULLAR existirá sempre pela Arte

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São 17h47 de domingo, dia 04 de dezembro de 2016. Venho para a frente do notebook na intenção de ser consolada pelo trabalho. Depois de uma semana de tristeza infindável com a queda do avião que levava o time Chapecoense e outras pessoas, incluindo jornalismo, achamos que esse domingo seria um oásis.
Mas meus olhos não param de chorar a dor da minha alma desde que soube que Ferreira Gullar se foi.

Gullar… meu poeta predileto. Autor da frase da minha vida {“A Arte existe porque a vida não basta”}. O senhor cheio de vida que vi em tantas FLIPs {Festa Literária Internacional de Paraty}, que tive a honra de, graças a este site, acompanhar em um seminário na Casa do Saber. O homem que encontrei em um Café em um cinema de Botafogo.

Ainda hoje de manhã eu pensava onde final citada, e se escreveria “F. Gullar” ou o nome completo – dependeria do tamanho e do local escolhido.

A tatuagem virá. Gullar se foi…
Gullar se foi? O poeta tem o direito de ir? Não! Como diz nossa frase, lida ao contrário, a vida pode não bastar, mas a arte existe.
Ferreira Gullar é eterno!!

Recentemente comprei mais um livro dele. Lembrei de quando Petrônio Gontijo ensaiou uma peça com trechos deste livro, e me dei esse presente por Gullar e por meu amigo. Ainda não foi aberto. Desolada, procurei Pépi. Ele me respondeu com o seguinte trecho de poesia A Vida Bate, do “nosso livro” Dentro da Noite Veloz:

“dentro, no coração,
eu sei,
a vida bate. Subterraneamente,
a vida bate.
Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
sob as penas da lei,
em teu pulso,
a vida bate.
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
que me sustenta
esta tarde
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
na América Latina."
VIVAS! Viva a vida de quem foi capaz de ser grande através do poder das palavras. Sobrevivente na loucura da vida graças a loucura das letras. Viva a vida do que se tornou meu preferido. Nunca perdi um artista preferido… Sem Gullar aqui, neste plano, me sinto como um balão perdido… Mas é a arte dele e a gratidão por todas as oportunidades de encontrá-lo, de ouvi-lo, de aprender com ele, com seus gestos, e principalmente com a dimensão que dava às palavras, que me fará forte. Mais forte. Mais poesia. Sempre Gullar.

{fotos na FLIP de 2010: eu, inebriada com a palestra de Ferreira Gullar}

Até a próxima,
2016-12-04T19:15:00+00:00 0 Comentários

Sobre o Autor:

Lathife Porto
Meu nome é Lathife Porto, tenho 34 anos, sou jornalista, assessora de imprensa, e apaixonada por arte e cultura. Moro no Rio de Janeiro, estou sempre em Paraty {RJ}, mas você pode me encontrar em qualquer lugar do mundo – principalmente no mundo virtual.

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