Divina Vera!

Em 1990, Vera Zimmerman estourou como símbolo sexual em Meu Bem, Meu Mal. Quando, na novela, o personagem de Guilherme Karan a chamava de “Divina Magda”, não tinha como não rir – e dar aquela espiadinha na loira.
Entre 2013 e 2014, ela foi uma das principais vítimas de Félix {Mateus Solano} em Amor à Vida. O vilão adorava chamar a secretária de “Cachorra”.
Vamos além da TV? Caetano Veloso dedicou à Vera a canção “Vera Gata”. Com o peso do título de musa, graças a sua beleza inquestionável, Vera Zimmerman quis mesmo é ser atriz: nos anos 70 estreou no Teatro, em 1983 no Cinema, e o grande público a conheceu através da TV em 1988, na novela Vida Nova. De lá pra cá foram muitas novelas, peças e filmes, incluindo o Prêmio de Melhor Atriz (curta-metragem) por Ela Perdoa, em 1999, no Festival de Gramado.
Porém, nos últimos meses, o nome que Henutmire – personagem de Vera em Os Dez Mandamentos – mais gostava de ser chamada era “minha mãe”. Citada na Bíblia pouquíssimas vezes, a princesa que resgatou Moisés das águas do Rio Nilo e o livrou do decreto de morte do Faraó, ganhou uma história concreta graças ao talento e à imaginação da autora Vivian de Oliveira e à direção criativa de Alexandre Avancini.
Vera recebeu a personagem de Mel Lisboa, que interpretou a princesa na primeira fase.
Manteve a postura: Henutmire foi traída pela principal dama de companhia {e deu uma surra nela – vivida por Adriana Garambone},
pelo marido, assumiu a responsabilidade de manter um menino hebreu no palácio do Faraó, sofreu quando o filho descobriu suas origens e fugiu, sofreu mais ainda sem saber se Moisés estava vivo, até o reencontro.
Apareceu careca – sem perder a beleza -, e quando surgiu velha, a postura era intacta.
A essa altura já vivia uma grande paixão,
e a princesa assume mais uma vez o filho, mas de uma forma ainda mais corajosa: ele voltou com a missão divina de libertar os hebreus da escravidão do Egito. Como uma nobre poderia apoiar isso? Henutmire se preocupava, mas antes do coração de princesa batia o de mãe. Ao encarar o irmão, Ramsés {Sérgio Marone} ela foi presa e, debilitada, resgatada pelo filho. E é na simples vila dos hebreus, que morre – nos braços do filho amado, e depois de renegar os deuses egípcios e assumir o Deus dos hebreus.
Como acontece em tudo o que diz respeito a Os Dez Mandamentos, o conjunto colabora para o sucesso de cada um. Vera se deu muito bem com a vilã Adriana Garambone, o apaixonado ourives vivido por Floriano Peixoto, a devotada Leila de Juliana Didone e, principalmente, com Guilherme Winter. Interpretando Moisés, o rapaz desenvolveu uma relação especial com a atriz. Depois que volta de Midiã {para onde foge quando tem sua sentença de morte pelo Faraó Seti, pai da princesa}, Moisés faz questão de procurar sua “mãe egípcia”, e em cada praga, ela é sua maior preocupação. Da mesma forma, Henutmire encara todos os perigos por amor ao filho.
Vera Zimmerman interpretou com talento uma personagem de época, aparentemente frágil, mas extremamente corajosa. Soube sofrer e se apaixonar; levantou a voz por justiça diversas vezes, sem nunca perder a classe e a nobreza; e mais do que tudo, transmitiu toda a emoção da “mãe do Libertador”.
Em uma trama em que tudo é grandioso, Vera Zimmerman deixou sua marca.
Divina Vera!
Até a próxima,
2015-10-03T21:58:00+00:00 0 Comentários

Sobre o Autor:

Lathife Porto
Meu nome é Lathife Porto, tenho 34 anos, sou jornalista, assessora de imprensa, e apaixonada por arte e cultura. Moro no Rio de Janeiro, estou sempre em Paraty {RJ}, mas você pode me encontrar em qualquer lugar do mundo – principalmente no mundo virtual.

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